Dependência de Substâncias, Psicoses e Esquizofrenia

Dependência de álcool e drogas

O uso de drogas psicoativas (como álcool, maconha (cannabis), cocaína, crack, heroína, LSD, Mescalina, solventes (loló, lança-perfume e outras misturas) e variantes), é tão antigo quanto os seres humanos. No mundo entre 3 e 6% das pessoas consumem drogas. Quem usa a droga é impulsionado pela curiosidade, a vontade de pertencer a um grupo, pela busca de um prazer imediato ou alívio, entre outras razões. Contudo, quem muitas das pessoas que utilizam drogas desconhecem seus efeitos colaterais e, por vezes, acabam se colocando em risco ou colocando outras pessoas em risco.

Algumas pessoas falam de uso seguro de drogas. Sabe-se, no entanto, que todas as drogas podem causar danos no cérebro e outras partes do corpo. Há também o risco de dependência. O desenvolvimento da dependência depende de alguns fatores controláveis como o tipo de droga, o acesso a ela, a exposição precoce e/ou repetida, e fatores sociais; e não controláveis como a vulnerabilidade genética, doenças psiquiátricas, fragilidades pessoais.

Quem usa uma droga por vezes desconhece que pode perder o controle, que pode ficar doente na ausência da droga, que pode vir a fazer mal para si ou para outras pessoas. Qualquer pessoa que usa uma droga, corre riscos. Um dos riscos mais importantes é de se tornar dependente. A dependência é uma doença grave pois modifica o modo que o dependente percebe o mundo, as pessoas e a sua relação com a droga. Além de perder o controle sobre o uso, deixando de ser apenas um usuário, o dependente químico também sofre com as consequências da droga no seu corpo. Estas consequências podem vir a se tornar doenças graves como o câncer, problemas cardíacos, hepáticos ou sintomas como impotência sexual, falta de energia ou conduta suicida.

O que caracteriza dependência a uma droga é:

  •  A perda do controle do uso da droga, o dependente não consegue interromper ou uma vez que começa a usar não consegue controlar as quantidades de droga que usa.
  • A substituição progressiva de atividades importantes como o lazer ou trabalho pelo uso da droga
  • A persistência do uso da droga apesar das suas consequências negativas
  • A presença de fissura, ou seja uma vontade muito grande, quase incontrolável de usar a droga que pode aparecer a qualquer hora do dia ou da noite.

Se tornar dependente de uma droga é um processo que pode ser bastante rápido e depende muito do tipo de droga, da idade em que começa o uso e de uma propensão familiar (genética) de se tornar dependente. Drogas como o crack ou a heroína podem causar dependência desde os primeiros usos. Sabe-se que quanto mais cedo se começa a usar drogas, maior é a chance de se tornar dependente. Pessoas que tem familiares que são dependentes têm maior tendência a se tornarem dependentes.

 “Eu consigo controlar.”

Muitas pessoas acreditam que são capazes de sempre controlar o uso de uma droga. No entanto esta é uma ideia falsa. A cada exposição à droga o usuário está correndo o uso de perder o controle e de se tornar dependente. A cada vez que ele usa a droga é como ele subisse em uma corda bamba. Às vezes ele consegue chegar do outro lado, mas ele sempre está correndo o risco de cair na dependência.  Sabe-se, contudo, que a exposição repetida, a precocidade do início do uso de drogas, alguns fatores sociais e pessoais podem facilitar o desenvolvimento de uma dependência.

Psicoses e Esquizofrenia

Psicose é uma perturbação mental que causa dificuldades em determinar o que é ou não real. Entre outros possíveis sintomas estão discurso incoerente e comportamento inapropriado para a situação. Podem também ocorrer, falta de motivação, isolamento social, embotamento afetivo (indiferença e até hostilidade) e dificuldades em desempenhar tarefas do quotidiano. São psicologicamente incompreensíveis e apresentam vivências bizarras, como delírios, alucinações, alterações da consciência do eu.

A memória e nível de consciência não estão prejudicados. Caso isto aconteça, deve-se suspeitar de outras alterações clínicas, tais como delirium (idosos, alcoolicos, desidratação, doença renal, etc) bem como uso de álcool ou drogas psicoativas.

Surtos psicóticos ou psicoses podem ser causados por drogas (tais como álcool e cannabis), privação de sono ou perturbações mentais como transtorno bipolar ou esquizofrenia. Cerca de 80% dos pacientes que apresentam primeiro surto psicótico são portadores de esquizofrenia e 60% dos pacientes são resistentes à maioria dos antipsicóticos já no primeiro surto.

A esquizofrenia é um conjunto de psicoses endógenas cujos sintomas fundamentais apontam a existência de uma dissociação da ação e do pensamento, expressa em uma sintomatologia variada que envolvem alterações do pensamento, da perceção, do comportamento e do afeto.

A esquizofrenia é um grande problema de saúde pública em todo o mundo. O transtorno pode afetar os jovens no momento exato em que estão estabelecendo a sua independência e pode ter como resultado incapacidade e estigma durante toda a vida. Em termos de custos pessoais e econômicos, a esquizofrenia encontra-se entre os piores distúrbios que afetam a humanidade.

A esquizofrenia é uma causa significativa de invalidez em todo o mundo. Ela afeta cerca de 1% da população. A esquizofrenia afeta do mesmo modo homens e mulheres. Nos Estados Unidos, a esquizofrenia é responsável pelo afastamento de uma em cada cinco pessoas que solicitam dias de despensa no seguro social, bem como por 2,5% dos gastos com todo o serviço de saúde. A esquizofrenia é mais frequente do que a doença de Alzheimer e a esclerose múltipla.